João Nicolite saiu do tatame de braço erguido no UFC BJJ 13, que aconteceu nesta quinta-feira, dia 29, no Meta Apex, em Las Vegas. Primeiro brasileiro a entrar em ação no card, o faixa-preta de Davi Ramos encarou o mexicano Martín Gonzalez na categoria dos médios e mostrou um jogo mais eficiente ao longo dos rounds. No fim, os árbitros não tiveram dúvida: vitória por decisão unânime e o primeiro triunfo do carioca na liga de grappling do Ultimate.
O resultado tem gosto de redenção. Na primeira aparição no UFC BJJ, Nicolite aceitou o desafio de enfrentar Nick Rodriguez e acabou finalizado no mata-leão ainda no primeiro round, na noite em que Gilbert ‘Durinho’ venceu no mata-leão e Mason Fowler permaneceu no topo do UFC BJJ 9. Desta vez, a história foi outra. Diante de um adversário que estreava na organização depois de passar por uma cirurgia no ligamento do joelho, o brasileiro se mostrou mais eficiente a cada round e saiu de Las Vegas com o resultado que buscava desde a estreia.

JOÃO NICOLITE APROVEITA O CAMP PESADO E MOSTRA JOGO MAIS EFICIENTE PARA DESBANCAR MARTÍN GONZALEZ NO FIGHTING BOWL
A vitória foi construída longe de Las Vegas, em um camp descrito como pesado pelo próprio entorno do atleta. No corner, Nicolite contou com Caio Terra, multicampeão mundial e um dos treinadores mais respeitados do sem kimono, e com Marco Mendes. A preparação ainda ganhou um reforço de peso: Mica Galvão, campeão do Super Grand Slam e um dos nomes mais vitoriosos da nova geração do Jiu-Jitsu, participou dos treinos do brasileiro para este compromisso.
Dentro do fighting bowl, o trabalho apareceu. A finalização não veio, mas Nicolite levou a melhor no conjunto da luta e mostrou um jogo mais eficiente do que o rival ao longo das parciais. Gonzalez resistiu e levou o confronto até o fim do tempo regulamentar, mas não conseguiu virar a leitura dos árbitros. Nas papeletas, os três juízes apontaram o brasileiro como vencedor, o que garantiu a decisão unânime e o primeiro braço erguido do carioca no Ultimate.

DE BÚZIOS PARA LAS VEGAS: A TRAJETÓRIA DO CARIOCA QUE AGORA SOMA UMA VITÓRIA NO UFC BJJ
A história de Nicolite com o Jiu-Jitsu começou em um projeto social perto de casa, em Armação dos Búzios, no litoral do Rio de Janeiro. Ele começou a treinar aos sete anos e estreou nas competições poucos meses depois. Pelo caminho, ganhou a faixa-preta das mãos de Davi Ramos e passou a dividir o tatame com nomes de elite. Ele chegou ao UFC BJJ como uma das apostas brasileiras para os médios e, agora, enfim tem uma vitória para chamar de sua na liga.
O triunfo também tem peso simbólico para o Brasil no card. Foi Nicolite quem abriu os trabalhos dos brasileiros em uma noite com vários compatriotas escalados, como Kleber Barbosa, que desafiou Jalen Fonacier pelo cinturão dos galos, e Natã Tenca, que encarou Nick Rodriguez. Na luta principal, William Tackett e Jay Rod mediram forças pelo cinturão dos médios, deixado vago por Ronaldo Junior, justamente a categoria em que o carioca acaba de conquistar sua primeira vitória na organização.
COM A PRIMEIRA VITÓRIA NO BOLSO, JOÃO NICOLITE ENTRA NO RADAR DA CATEGORIA DOS MÉDIOS
Com o resultado, Nicolite deixa para trás o revés na estreia e passa a figurar entre os médios que somam vitória no UFC BJJ, uma divisão que vai ganhar novo dono do cinturão e, consequentemente, uma nova fila de desafiantes. Jovem e com margem para evoluir, o brasileiro mostrou contra Gonzalez maturidade para controlar uma luta longa, um atributo valorizado em um formato de rounds e decisão por pontos como o da liga de grappling do Ultimate.
Os próximos passos do carioca ainda não foram anunciados, mas a vitória sobre o mexicano recoloca o nome dele na conversa da organização. Para um atleta que começou em um projeto social em Búzios e chegou ao maior palco das lutas do mundo, o braço erguido em Las Vegas é mais um capítulo de uma carreira em ascensão. O UFC BJJ volta em dezembro, com a 14ª edição já marcada no calendário da organização.


