
A cena competitiva do Jiu-Jitsu feminino repetiu um nome no topo ao longo de uma temporada inteira, do Mundial de 2025 ao Campeonato Brasileiro deste ano. A australiana India Risby, hoje representante da Atos de San Diego, nos Estados Unidos, ascendeu em um nível absurdo nas principais competições. Uma eficiência que vai além da normalidade.
Dentro do Grand Slam da IBJJF, não foi apenas em um torneio que India tomou para si o ouro duplo. A atleta replicou a façanha sem falhas, campeã ouro duplo, por três vezes consecutivas, na temporada inteira. Ou seja, India foi dominante, tanto no peso como no absoluto, em três países diferentes. O primeiro deles foi Portugal, no Europeu, passando pelos Estados Unidos ilesa, no Pan-Americano, para encerrar sua missão na faixa-roxa no país da Arte Suave, no Campeonato Brasileiro.
Graduada por Sarah Galvão no topo do pódio, no Brasileiro, India agora inicia uma campanha com potencial inequívoco na faixa-marrom. Afinal, ela não deixou escapar nenhuma medalha de ouro nos maiores eventos da IBJJF. No Mundial, que começa amanhã, dia 28, na Califórnia, India Risby vai estrear a faixa recém-conquistada entre as atletas do médio. Histórico robusto ela tem para figurar entre as favoritas da categoria. A meta, sem dúvida, é já valorizar essa nova fase, uma espécie de estágio para a faixa-preta, com um título mundial na prateleira.
THE MAT NATION – Você encerrou sua trajetória na faixa-roxa com uma campanha incrível, incluindo desempenhos de duplo ouro em grandes eventos. Como você analisa esse ciclo agora que ele foi concluído?
INDIA RISBY – Sinceramente, é uma sensação incrível, porque desde que comecei, ainda muito nova, sempre sonhei em competir nos grandes palcos como faixa-preta. Então, conseguir alcançar isso como faixa-roxa e agora entrar na divisão marrom é super especial, porque significa que estou no caminho certo e que esses são apenas pequenos passos rumo ao objetivo maior de vencer na faixa-preta.
Com o apoio do professor Galvão, da professora Angelica Galvão e de toda a equipe da Atos ao meu lado, consegui evoluir muito, tanto mentalmente quanto fisicamente, e isso me ajudou a subir no tatame com mais confiança e, consequentemente, a performar tanto na minha categoria quanto no absoluto da faixa-roxa.
Um momento que ficou marcado para mim foi quando a professora Angelica me disse, no Europeu deste ano: “Você está conosco há apenas um ano e olha o quão longe já chegou.” Isso realmente mostra que meus resultados foram um reflexo de ter as pessoas certas e a equipe certa me guiando ao longo da minha jornada.

THE MAT NATION – No Brasileiro, você dividiu a final do absoluto com sua companheira de equipe Mia Montesinos, e decidiram fazer o fechamento de chave. O que esse momento diz sobre o vínculo dentro da Atos?
INDIA RISBY – Nós treinamos muito duro juntas todos os dias, então fazia todo sentido dividir essa vitória, já que ambas conquistamos o ouro em nossas categorias e chegamos juntas à final do absoluto.
Na Atos, todas as meninas do Dream Team se impulsionam diariamente para evoluir, e como dizem, o ferro afia o ferro. No fim das contas, tudo o que eu quero é ver minhas companheiras tendo sucesso e vencendo, então poder viver isso ao lado da minha amiga foi algo muito legal e especial.

THE MAT NATION – Depois de dominar competições em Portugal e nos Estados Unidos no início da temporada, você sentiu um tipo diferente de pressão ao chegar ao Brasileiro, especialmente como uma das atletas a serem batidas?
INDIA RISBY – Foi a minha primeira vez viajando e competindo no Brasil e, para ser sincera, na semana que antecedeu a competição eu não estava me sentindo muito bem mentalmente, porque coloquei muita pressão sobre mim mesma, pensando que eu precisava performar.
Mas eu sei que treino com algumas das melhores meninas do mundo, então só precisava confiar na minha preparação e nos meus treinos, entrar no tatame com a mente tranquila e dar 100% no dia, e foi exatamente isso que eu fiz.
THE MAT NATION – Sarah Galvão te promoveu à faixa-marrom no pódio do Campeonato Brasileiro. O que aquele momento significou para você e o quão pronta você se sente para esse próximo capítulo?
INDIA RISBY – Significou muito para mim ser graduada pela Sarah. Poucas pessoas sabem disso, mas nós costumávamos competir bastante uma contra a outra na divisão juvenil faixa-azul e eu sempre a enxerguei como uma grande inspiração.
Eu me mudei para a Atos no início de 2025 e desde então ela tem me ajudado a evoluir todos os dias. Ver o quanto ela treina duro, dia após dia dentro da academia, também é algo muito motivador para que eu continue me esforçando, me mantenha consistente e dê o meu melhor. Então, receber minha faixa-marrom dela foi realmente muito especial.
Estou me sentindo super pronta para esse próximo capítulo como faixa-marrom. Temos a melhor equipe feminina na Atos e nosso treinamento nunca para, então estou sempre me mantendo preparada para qualquer competição que vier pela frente.


