FELIPE LEONARDO, CAMPEÃO FORMADO EM PROJETO SOCIAL NO CUIABÁ, ATRAVESSA BOA FASE COM O BICAMPEONATO BRASILEIRO

Atleta faixa-marrom da Rotam Jiu-Jitsu, ligada à Checkmat, desbancou adversário da AOJ na final do peso pena
Felipe Leonardo comemora campanha bem-sucedida no Brasileiro de Jiu-Jitsu. Foto: @joaobjj01
Felipe Leonardo comemora campanha bem-sucedida no Brasileiro de Jiu-Jitsu. Foto: @joaobjj01

Não é lenda. O Campeonato Brasileiro, torneio de Grand Slam da IBJJF, é de verdade uma das competições mais concorridas do circuito anual. O evento acontece no berço da Arte Suave, no Brasil, tradicionalmente em Barueri, São Paulo. Este ano, a CBJJ anunciou um número recorde de inscrições: mais de 7900 participantes. Felipe Leonardo, faixa-marrom do Projeto Rotam Jiu-Jitsu, em Cuiabá, foi um deles. Apesar da dificuldade, vencer um Brasileiro não é uma conquista inédita na carreira dele. No ano passado, ainda na faixa-roxa, Felipe conseguiu o ouro entre os penas. Agora, mais perto da elite, a divisão faixa-preta adulto, ele se destacou mais uma vez com performance que o levou ao topo da categoria na competição.

Entrevistado pela The Mat Nation depois da agitação do Brasileiro, Felipe Leonardo ressaltou a importância dessa medalha de ouro na valorização da carreira profissional. É um divisor de águas para quem assume a primeira colocação no pódio no que diz respeito à captação de oportunidades. Em outras palavras, é correto dizer que o Brasileiro é uma vitrine mais democrática já que o visto, por exemplo, não é um impeditivo para atuar aqui.  

“Acredito que todo atleta já sonhou em ser campeão do Brasileiro, é uma competição muito expressiva e isso acaba abrindo portas. É muito comum o atleta não ter condições de lutar um Mundial, não ter um visto. Nesse caso, é o Brasileiro que abre essa porta para uma carreira sólida dentro do esporte”, salientou Felipe.

O PRIMEIRO CONTATO DE FELIPE COM O JIU-JITSU ACONTECEU NO PROJETO SOCIAL QUE ELE FREQUENTA ATÉ HOJE

Natural de Cuiabá, no Mato Grosso, Felipe tem 21 anos e uma longa jornada pela frente como atleta profissional. No Jiu-Jitsu, formado em projeto social, ele começou com apenas oito anos de idade. De acordo com ele, que era mais inclinado ao futebol na época, foi amor à primeira vista. Hoje um faixa-marrom colhendo bons resultados, Felipe já tem qualidade para despontar como uma das promessas no alto rendimento, quando for graduado à faixa-preta. 

Atleta de Mato Grosso participou do Mundial da IBJJF no ano passado, na faixa-roxa, e ficou com a medalha de bronze. Foto: @a.assisfoto

Fora do eixo Rio-São Paulo, onde se concentram os maiores eventos e academias do país, Felipe ressalta que tem total assistência, dentro da sua cidade natal, no propósito de evoluir profissionalmente como competidor de Jiu-Jitsu. Inclusive, pela relevância do seu currículo, ele pode contar com incentivos do Governo do Estado do Mato Grosso e da Secretaria de Esportes, iniciativa importante para custear a participação dele nos eventos principais.

“Muitas pessoas já me perguntaram por que não me mudo para esses estados onde acontecem os maiores eventos, onde estão as maiores academias. Eu quero mostrar para os meus alunos dentro do projeto, eu faço parte de um projeto social, e para os atletas da minha cidade, que nós também somos capazes de chegar onde a gente quer. É possível”, reforçou.

SUSTO NA FINAL: ÚLTIMA LUTA DOS PENAS, FAIXA-MARROM ADULTO, TEVE UMA DOSE EXTRA DE EMOÇÃO

Depois de avançar na divisão peso pena, a final contra Alex Vazquez, um dos nomes mais promissores da linha de frente da AOJ, foi certamente a mais desafiadora do campeonato. Com liderança técnica, dois pontos na frente do placar, o duelo mostrou que nenhum segundo, até o apito final, pode ser subestimado. Um ataque de costas por parte de Alex, na reta final, quase entregou a prata para o cuiabano.

“Eu estava ganhando por dois pontos. Faltando alguns segundos, cerca de dez, o Alex Vazquez atacou pelas costas e começou a colocar os ganchos. A única coisa que passou pela minha cabeça é que eu não poderia, de jeito nenhum, ceder aqueles pontos. Faltavam alguns instantes para o título sair da minha mão. Cabeça de gelo, tentando defender. Eu não deixei meu oponente conseguir a posição e saí como campeão”, detalhou.

Os segundos finais da última luta do peso pena no Campeonato Brasileiro da CBJJ textou a frieza de Felipe Leonardo, que conseguiu se manter na frente no placar.
Os segundos finais da última luta do peso pena no Campeonato Brasileiro da CBJJ textou a frieza de Felipe Leonardo, que conseguiu se manter na frente no placar. Foto: @joaobjj01

A próxima parada de Felipe Leonardo é o Mundial na Califórnia, nos Estados Unidos, evento que vai acontecer de 28 a 31 de maio. O palco, a famosa Walter Pyramid, é um verdadeiro templo do Jiu-Jitsu. Determinado a chegar em sua melhor versão até o final deste mês, Felipe vem trabalhando em ajustes, lapidando suas especialidades e cuidando, sempre, da parte mental. Um campeão não se desestabiliza. Essa foi, aliás, uma qualidade que ele mostrou bem no Brasileiro.  

“Eu acabei de vencer o Brasileiro em uma final sobre o número 1 do ranking, é por isso que minhas expectativas para o Mundial são as melhores. Isso me mostrou que tenho grandes chances de ser campeão mundial. Vou continuar trabalhando dentro da minha equipe, corrigindo erros para fazer bem mais do que o ano passado e, se Deus quiser, voltar com a douradinha para casa”, projetou Felipe. No Mundial de 2025, ele ficou entre os três melhores na divisão dos penas, faixa-roxa adulto.

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