Shakur Stevenson não faz mais parte da Zuffa Boxing, a liga de boxe de Dana White, CEO do UFC. Campeão dos meio-médios júnior (até 63,5 kg) pela WBO e invicto em 25 lutas, o norte-americano de 29 anos anunciou no seu canal no YouTube que teve aceito, no último fim de semana, o pedido de liberação do contrato. A saída acontece cerca de 100 dias depois de ele ter sido apresentado como a maior contratação da nova organização, e sem que tenha subido ao ringue uma única vez com o selo da empresa.
Segundo Shakur, o motivo foi a falta de lutas. O pugilista contou que passou cerca de oito semanas em campo de treinamento, mantendo o peso e a forma, à espera de combates que lhe foram prometidos e que nunca saíram do papel. Ele fez questão de dizer que não guarda mágoa de ninguém nem aponta culpados, mas que, diante dos problemas acumulados, preferiu buscar a liberação. Agora agente livre, o campeão afirmou que vai assumir o controle da própria carreira.

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O acordo com a Zuffa Boxing foi anunciado em julho, com contrato de várias lutas cujos valores não foram divulgados oficialmente, embora a imprensa norte-americana fale em cifras de oito dígitos em dólares. A expectativa era de que a chegada de um campeão invicto e respeitado desse força imediata ao projeto, que é ligado ao grupo dono do UFC e tenta ocupar espaço no boxe profissional com o mesmo modelo de liga que transformou o MMA. Na prática, o calendário nunca encaixou o nome mais valioso do elenco.
O duelo mais pedido pelos fãs era contra Devin Haney, rival antigo de Shakur nas redes sociais e atual campeão dos meio-médios pela WBO. Os dois chegaram a falar publicamente em um acordo de peso combinado, mas Haney tinha a obrigação de enfrentar o desafiante obrigatório Keyshawn Davis, e a luta não se concretizou. Sem adversário definido, o campeão completa nove meses sem lutar, já que a última vez que entrou no ringue foi em janeiro.
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A última apresentação de Shakur foi justamente a que o colocou no topo de mais uma divisão. No dia 31 de janeiro, no Madison Square Garden, em Nova York, ele subiu para os 140 libras e tirou o cinturão da WBO de Teofimo Lopez com uma vitória por decisão unânime, em que os três jurados deram 119 a 109. Com o jab e a defesa que viraram marca registrada, controlou a luta de ponta a ponta e chegou a abrir um corte acima do olho esquerdo do adversário nos rounds intermediários.
Com o título, Shakur se tornou campeão mundial em quatro categorias: antes, já havia reinado no peso-pena, no superpena e no peso leve. O cartel é de 25 vitórias em 25 lutas, com 11 nocautes. Antes da carreira profissional, ele foi medalhista de prata nos Jogos Olímpicos do Rio 2016, no peso-galo, credencial que o colocou desde cedo entre as grandes apostas do boxe dos Estados Unidos.
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O público brasileiro conhece bem o estilo do norte-americano. Em setembro de 2022, em Newark, Shakur enfrentou o baiano Robson Conceição, campeão olímpico no Rio 2016, e venceu por decisão unânime, com direito a um knockdown no quarto round. A luta valia os cinturões do superpena, mas Shakur estourou o limite da categoria na pesagem e perdeu os títulos na balança, o que deixou os cinturões vagos mesmo com a vitória dentro do ringue.
Para o futuro, o plano é montar a própria promotora de eventos, sem fechar as portas para parcerias com outros promotores dispostos a tratar a carreira dele com a mesma seriedade. Shakur disse que quer as maiores lutas disponíveis entre os 135 libras (peso leve) e os 140 libras, onde mantém o cinturão, e não descarta subir para os meio-médios (até 66,7 kg) em um ou dois anos, no tempo dele. “Não importa quem coloquem na minha frente. Nenhum desses caras pode me vencer”, avisou o campeão.
Até a publicação desta matéria, a Zuffa Boxing não havia se pronunciado sobre a saída. Outras notícias de lutas e organizações fora do tatame estão na seção de MMA da The Mat Nation, que acompanha também os brasileiros no UFC e nos principais eventos do mundo.


