O nome de Rebeca Lima já tinha sido assunto na mídia especializada de Jiu-Jitsu. Campeã mundial de kimono pela IBJJF nas faixas coloridas, em 2021, na roxa, ela alcançou o apogeu na Pirâmide, na Califórnia. Campeã peso e absoluto para logo em seguida ser graduada à faixa-marrom no pódio. Avançando para o dia 12 de fevereiro, agora faixa-preta, Rebeca fez por merecer um lugar de grande exposição em uma vitrine global do grappling. No UFC BJJ 5, a brasileira, com carreira gerenciada por Bruno Bastos, enfrentou Taylor Hishaw em estreia na organização. O desfecho não poderia ser mais estrondoso: finalização no Estima lock, um ajuste fino na segunda parcial, para impressionar quem assistia.
Rebeca Lima é carioca, mas atualmente, no alto rendimento, tem passado tempo integral em Midland, no Texas, para aprimorar ainda mais as habilidades no centro de treinamento da LEAD BJJ. Casa de Cassia Moura, bicampeã mundial No Gi pela IBJJF que vai lutar pelo cinturão peso galo do UFC BJJ na próxima edição, agendada para o dia 12 de março. Entrevistada pela The Mat Nation após o sucesso recente, Rebeca deu maiores detalhes de sua rotina de treino, ao lado de pessoas que partilham dos mesmos objetivos, e disse que viver do Jiu-Jitsu, com profissionalismo e autossuficiência, deixou de ser sonho para se tornar realidade.

“Eu aproveito 100% do meu dia para treinar, me dedicar. São treinos que vão da parte da manhã até à noite. Isso me deixa mais confiante, não apenas pelo treino em si, mas por conta das pessoas que me rodeiam. Tem a Cassia (Moura), o Bruno (Bastos), todo o pessoal daqui. A minha agressividade melhorou muito e esse resultado representa demais. Eu cresci fazendo Jiu-Jitsu, desde os nove anos de idade. Eu sempre quis viver do esporte, ajudar minha família, nunca foi só sobre títulos. Eu comecei a treinar No Gi há pouco tempo, percebi que posso ser tão boa quanto sou no kimono. No UFC eu vi a chance de fazer dinheiro, viver do Jiu-Jitsu é caro e no Brasil é tudo mais difícil”, confessou.
MELHOR ESTRUTURA DO MUNDO: EXPERIÊNCIA NO UFC BJJ FEZ REBECA ENTENDER QUE O JIU-JITSU FINALMENTE CHEGOU EM UM PATAMAR PROFISSIONAL
O UFC, maior organização de esportes de combate do mundo, tem autoridade quando o assunto é estrutura de altíssimo nível. Rebeca sentiu isso na pele. Convocada para atuar na organização, a atleta, que tem experiência ampla no cenário de competição, afirmou que, até então, nunca tinha se deparado com nada dessa grandeza.

“Eu sempre competi tudo, mas nunca vi uma estrutura igual à do UFC, com tanto profissionalismo. Eu tenho anos de experiência, mas admirei tudo aquilo como se fosse uma faixa-branca de vivência. Tinham diversos atletas ali que eu acompanho, mas que eu só via pela internet. Fiquei uns dias em Las Vegas e pude treinar no UFC Performance Institute, o centro de treinamento que todos os atletas do UFC têm acesso. A atmosfera do dia do evento foi surreal. Todo mundo te olhando, vibrando, o público quer te ver lutar. Essa valorização me motivou muito, me fez finalizar a luta”, contou.

SUPERANDO PERCALÇOS PELO CAMINHO, HOJE REBECA LIMA SE DEFINE COMO UMA ATLETA COMPLETA
Nos últimos anos dedicados ao Jiu-Jitsu, passando por fases que oscilavam entre a glória e a incerteza, Rebeca destaca que vive hoje um estágio de auge. Com pouco tempo de dedicação ao Jiu-Jitsu sem kimono, ela chegou na final do Mundial da IBJJF, em dezembro do ano passado, e venceu com autoridade na quinta edição do UFC BJJ. Um sinal de que corpo e mente estão trabalhando juntos naquele instante que mais importa para o atleta, quando o árbitro autoriza o início do combate.
“Com certeza a Rebeca de hoje bateria muito na Rebeca de um ano atrás, do Mundial passado. Eu evoluí muito, e não digo apenas de Jiu-Jitsu. Você pode treinar durante anos e não ter um bom rendimento no campeonato, é muito mais sobre a sua atitude diária, no que você acredita, no que você vem trabalhando. Eu estou na minha melhor versão, feliz, me sentindo completa”, salientou.
A faixa-preta de Jiu-Jitsu passou por uma provação depois do Mundial de 2023, quando, na faixa-marrom, ela rompeu o ligamento cruzado anterior (LCA) do joelho em um dos confrontos do torneio. A dor maior veio depois, nos questionamentos e reflexões despertados pelo tempo fora dos tatames. Tinha chegado a hora de avaliar as prioridades e aprender a valorizar aspectos que a vida corrida tende a esconder.

“Quando eu me lesionei, fiquei muito mal. Mexeu muito com a minha cabeça, com a minha autoestima, foi um período muito difícil no qual pude ver quem realmente estava do meu lado. Nesses momentos, títulos não importam, você precisa ser resiliente, colocar a cabeça no lugar. Eu aprendi a valorizar as coisas que tinha, mas não percebia por causa da correria. Eu fiquei com medo de não ser mais a mesma, muitos desacreditaram, mas eu não. Precisei provar para mim mesma que ia conseguir voltar a ganhar, voltar ao alto nível em menos tempo. Não deu outra, cheguei na final do Brasileiro com cinco meses de cirurgia. Esse sentimento de querer ser mais profissional mexeu comigo. Errar menos, prestar mais atenção na minha saúde, treinar mais, fazer o meu máximo, diariamente, para ser a melhor do mundo”, enfatizou.
MUNDIAL NA PIRÂMIDE: PLANOS COMPETITIVOS PARA 2026 INCLUEM ATUAÇÃO NO EVENTO MAIS IMPORTANTE DO GRAND SLAM DA IBJJF
Com carreira construída no Jiu-Jitsu de kimono, Rebeca está na classe dos competidores que reservam um lugar especial no coração para o esporte praticado com pano, mas migram para o No Gi por conta da variedade de oportunidades. Ela está bem amparada na tomada de decisões para a carreira, com planos concretos de crescimento no grappling. No entanto, a missão de conquistar na faixa-preta a medalha de ouro do Mundial da IBJJF, na Pirâmide da Califórnia, deve ser cumprida ainda nesta temporada.

“O kimono sempre foi e sempre vai ser a minha maior paixão. O meu maior sonho pessoal é ser campeã mundial de kimono e estou planejando lutar esse ano. Eu só preciso ajustar tudo com o Bruno Bastos, meu manager e professor. Várias oportunidades estão surgindo e preciso ver o que faz mais sentido para mim agora. Eu tenho planos com o UFC, eu quero lutar pelo cinturão ainda esse ano, mas a Pirâmide sempre vai ser um lugar especial para mim, ganhando ou perdendo, lá a gente faz tudo valer”, revelou.


