
A campanha de Nathan Haddad em uma das seletivas norte-americanas do ADCC, no West Coast Trials, em abril, mostrou porque ele é um dos nomes mais promissores da modalidade. Campeão da divisão até 88kg, com trajetória de sete lutas e três finalizações, Nathan foi o competidor mais perigoso em uma divisão com potencial intimidador: Jacob Couch, Andy Varela e Ryan Aitken, que Nathan venceu na final, eram alguns dos atletas presentes no torneio pela vaga no Mundial do ADCC.
“Trials é sempre uma guerra. Existem muitos atletas merecedores. No geral, estou muito feliz com a minha performance, sinto como se tivesse desbloqueado uma nova parte de mim. Acho que a grande diferença foi o meu coração e o meu gás. Encontrei uma forma de vencer todas as vezes e meu cardio é muito bom, o que me permite manter o ritmo durante toda a luta”, explicou Nathan em entrevista exclusiva à The Mat Nation.
FIEL A QUEM ENSINOU TUDO: NATHAN HADDAD TREINA NA MESMA ACADEMIA DESDE 2003, QUANDO COMEÇOU NO ESPORTE
Natural de Louisville, no Kentucky, Nathan é o tipo de atleta que sabe como valorizar as próprias raízes. Desde 2003, quando começou a praticar Jiu-Jitsu aos seis anos de idade, ele treina Core Sports Combat, time fundado pelo pai, Rolando Haddad, e conduzido tecnicamente por Helio ‘Soneca’, campeão mundial de Jiu-Jitsu na primeira edição do evento, em 1996, ainda no Rio de Janeiro. O mentor de Nathan Haddad, naquela ocasião, venceu Wellington Dias, o icônico ‘Megaton’, na final dos plumas da divisão faixa-preta adulto.
“Comecei no Jiu-Jitsu em 2003, quando tinha 6 anos de idade. Meu treinador é o lendário Helio ‘Soneca’. Meu pai abriu a academia da nossa família e trouxe o ‘Soneca’ para ser professor. Desde que comecei no esporte treino em tempo integral com o Helio. Tenho sorte de ter uma linhagem direta com um campeão mundial como ele”, contou.
ESTUDIOSO DO ESPORTE: ATLETA CLASSIFICADO PARA O MUNDIAL DO ADCC TEM HOJE UMA PLATAFORMA COM MAIS DE 600 VÍDEOS INSTRUCIONAIS
Nathan fez parte do time de Mikey Musumeci no reality show do UFC BJJ, o Road to the Title, mas ele não é conhecido como deveria entre o público brasileiro fã do esporte. Nathan Haddad é um atleta fissurado pelas minúcias da técnica, isso certamente explica a campanha sem falhas que o fez carimbar a vaga para o evento principal do ADCC, que acontece este ano na Europa, nos dias 12 e 13 de setembro. Se hoje ele tem acesso a material humano muito bem capacitado em Jiu-Jitsu, nem sempre foi assim.

Em entrevista à FloGrappling depois da seletiva, Nathan disse que encontrar um faixa-preta em Kentucky, em 2003, era praticamente impossível. Os faixas-roxas, naquela época, eram maiorais na região. Foi a partir da chegada de Helio ‘Soneca’ na academia, da infância até hoje, mesmo depois de receber a faixa-preta, que Nathan segue absorvendo o máximo de conhecimento possível. Hoje, ele expande o alcance de seu acervo técnico com vídeos instrucionais, um método que ganhou muito corpo com o uso da internet e das redes sociais na propagação de conteúdo informativo. Por meio do CorePro, Nathan esmiúça técnicas de No Gi com atenção especial aos detalhes.
“O CorePro é uma das coisas mais divertidas que já criei. Tentei colocar meu cérebro inteiro dentro do site. Hoje ele tem mais de 600 vídeos de técnicas e conteúdos instrutivos. Eu uso diariamente para estudar. Minha esperança é ajudar as pessoas a construírem uma base sólida no Jiu-Jitsu e não apenas aprender movimentos chamativos. Eu acredito que, se você tem uma boa base no esporte, pode fazer qualquer coisa”, destacou.

NATHAN HADDAD É DO TIME QUE DEFENDE O TREINO DE KIMONO NA CONSTRUÇÃO DE UM BOM JOGO NO GRAPPLING
O treino de Jiu-Jitsu sem kimono é extremamente popular nos Estados Unidos. A rotina atlética de Nathan, por exemplo, é a de um profissional que se prepara para competir somente sem pano. No entanto, ele explica que não despreza, de forma alguma, o treino de kimono. De acordo com o faixa-preta, reservar um espaço certo para o kimono na agenda é uma atividade que complementa a evolução no grappling.
“Eu amo o Jiu-Jitsu com kimono! Na verdade, treino 50% com kimono e 50% sem kimono. Atualmente só luto No Gi, mas gosto muito de treinar de kimono. Acho que isso te obriga a jogar o jogo de uma forma diferente, o que ajuda bastante no meu No Gi”, afirmou.


