LIVIA BARASINE ATUA PELA PRIMEIRA VEZ NA FAIXA-MARROM E EXIBE AUTORIDADE IMPLACÁVEL: “TENHO QUE DAR O EXEMPLO”

Atleta treinada por Melqui Galvão, estreando entre as oponentes do adulto, saiu do Rio Summer com quatro medalhas de ouro, Gi e No Gi

A tendência de superioridade nos tatames segue intacta para Livia Barasine agora, no início da temporada de 2026. A primeira competição, atuando com e sem kimono, foi o Rio Summer, evento que aconteceu neste final de semana na Barra da Tijuca, no Rio de Janeiro. O saldo foi de quatro medalhas de ouro para o acervo. Campeã da divisão de peso e do absoluto com comportamento implacável, Livia matou a sede de finalização em sua estreia na faixa-marrom e na categoria adulto. Na final das disputas do aberto, de kimono, deu dobradinha no topo para a equipe de Melqui Galvão. Lívia fechou a final com a colega Claudia Costa, também recém-graduada.

Em entrevista à The Mat Nation, Livia falou sobre o momento propício e se mostrou comprometida a se manter como a mais temida depois da chegada à faixa-marrom aos 17 anos de idade. O último triunfo com a faixa-roxa na cintura aconteceu em Las Vegas, no Mundial No Gi da IBJJF, em dezembro do ano passado. Com desempenho que rendeu mais um ouro duplo e a faixa-marrom, cedida por Melqui Galvão, Livia encerrou seu curto período nas faixas coloridas, azul e roxa, ganhando absolutamente tudo.

Livia Barasine em ação no Rio Summer da CBJJ. Disputas sem kimono aconteceram no primeiro dia de torneio, na sexta, dia 9.
Livia Barasine em ação no Rio Summer da CBJJ. Disputas sem kimono aconteceram no primeiro dia de torneio, na sexta, dia 9. Foto: Ayllana Espíndola | @sharkjiu_

“Com certeza foi um momento especial para mim. Comecei o ano de faixa-azul e terminei ele de faixa-marrom. Minha mentalidade e responsabilidade mudaram totalmente, sou faixa-marrom e tenho 17 anos. Vou começar o meu primeiro ano de adulto e tenho que dar o exemplo, principalmente para as meninas dentro do Jiu-Jitsu”, disse com maturidade.

FAÇANHA NO WORLD PRO MOSTROU QUE LIVIA É UM PONTO FORA DA CURVA: “JÁ ESTOU SIM NO NÍVEL DAS PROFISSIONAIS”

Outro desafio que ficou marcado como um dos auges de Livia em seu último ano de faixa-roxa foi em Dubai, no mês de novembro, no World Pro da AJP Tour. Ela venceu lutando tanto entre juvenis quanto contra adversárias profissionais, algo pouco comum. O resultado, que impressionou mesmo com a conhecida efetividade da atleta, foi determinante para indicar que ela já se comportava em pé de igualdade com as mais tarimbadas.

“Foi um grande campeonato e uma experiência incrível para a minha carreira, tanto nas lutas como na estrutura. Foi a minha primeira vez lutando o World Pro, ganhei a minha categoria e me desafiei lutando a divisão adulto. Creio que eu já estou sim no nível das atletas profissionais, não vai ser uma tarefa fácil, mas eu estou pronta”, afirmou. 

Última experiência de Livia Barasine na faixa-roxa foi no Mundial No Gi da IBJJF, em Las Vegas. Na ocasião, ela ficou com o ouro duplo.
Última experiência de Livia Barasine na faixa-roxa foi no Mundial No Gi da IBJJF, em Las Vegas. Na ocasião, ela ficou com o ouro duplo. Foto: Divulgação / Instagram

Para uma atleta habituada a lutar em competições abertas, nas quais as atenções se dividem entre vários tatames, o ambiente de uma superluta pode ser bastante intimidador, mas não para Livia. Em julho do ano passado, ela lutou no BJJ Stars 16, no duelo de abertura contra Eduarda Muniz, e saiu do confronto vencedora por finalização no armlock. A vaga no evento veio por meio de GP, no BJJ Stars Confere, competição promovida por Fepa Lopes para revelar talentos das faixas coloridas.

“O BJJ Stars é o sonho de todo atleta que luta Jiu-Jitsu e eu ter conquistado a vaga pelo GP, para mim, já foi um grande desafio. Eu tinha pegado a faixa-roxa não tinha nem uma semana e eu já lutei com meninas adultas e profissionais. Realmente lutar o BJJ Stars mudou a minha preparação, para o campeonato e para trabalhar a minha mídia”, comentou.

MELQUI GALVÃO LAPIDOU A COMPETIDORA PARA UMA TRAJETÓRIA DE SUCESSO NO GRAPPLING; O TRABALHO JÁ VEM GERANDO FRUTOS

A incursão completa de Livia Barasine na cena do No Gi aconteceu sob a orientação de Melqui Galvão, na escola de Jiu-Jitsu comandada pelo manauara em Jundiaí. Foi treinando no mesmo tatame de astros como Mica Galvão e Diogo Reis, campeões do ADCC, que Livia evoluiu no grappling a ponto de parecer que já tinha boa bagagem na modalidade. 

“Mudou tudo. Eu praticamente não tinha nenhuma base no No Gi. Em toda a minha carreira eu tinha lutado no máximo dois campeonatos, mas a minha base e a minha mentalidade está sendo construída com a ajuda do meu mestre Melqui. Treinamos todos os dias e a evolução está sendo constante”, explicou.

Convivência de treino com Melqui Galvão abriu a mente de Livia Barasine para o No Gi. "Mudou tudo", disse.
Convivência de treino com Melqui Galvão abriu a mente de Livia Barasine para o No Gi. “Mudou tudo”, disse. Foto: Divulgação / Instagram

A nova temporada começou da melhor forma para Livia, mas não dá para descansar diante dos desafios que vão surgir diante dela nos próximos meses. O caminho até a faixa-preta agora está curto, mas atalhos estão proibidos para quem quer manter um padrão de evolução constante. É isso que Livia tem mente daqui em diante para chegar firme na faixa-preta, com habilidade sólida igual da transição recente, da faixa-roxa para a marrom. 

“Eu estou iniciando um novo capítulo, com muita humildade. Tenho só 17 anos e sei que ainda tenho muito aprendizado pela frente. Quero evoluir em cada treino, aproveitar todas as oportunidades e competir sempre com muita vontade de vencer, mas sem pular etapas. Levo de 2025 tudo o que me fez crescer, as vitórias, os erros e a evolução diária. Meu foco agora é construir minha história passo a passo, com dedicação e amor ao Jiu-Jitsu, para no futuro estar entre as melhores do mundo”, projetou.

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