
Lucas Valente, faixa-preta da Gracie Barra, construiu uma carreira como competidor de Jiu-Jitsu que inclui dois títulos mundiais, ele é bicampeão no Mundial No Gi da IBJJF. Foi com esse currículo que Lucas fez uma transição muito comum entre atletas da modalidade que se superam no alto rendimento: ele migrou para o MMA com uma base extremamente sólida na luta de chão.
Como resultado, o campeão acumulou quatro vitórias fulminantes no MMA, no Fury FC, todas por finalização no primeiro round. Foi em 2025 que ele calçou as luvas pela primeira vez para atuar no cage. Até a imagem do atleta ser anunciada na posição de desafiante no UFC BJJ 7, um retorno de Lucas à luta agarrada parecia improvável.
DE DESAFIANTE A CAMPEÃO: PRIMEIRA LUTA DE LUCAS VALENTE NO UFC BJJ JÁ VALIA O CINTURÃO
O destino cobiçado por todo atleta promissor no MMA profissional é o UFC e Lucas, por um outro caminho, acabou aterrissando no Ultimate, mas na liga de Jiu-Jitsu da organização. O que ele fez, em noite de estreia no UFC BJJ 7, no início de abril, foi impressionante. Logo de cara, pelas conquistas no Jiu-Jitsu ao longo dos anos e pela efetividade finalizadora que exibiu recentemente no MMA, Lucas foi escalado para enfrentar um campeão no main event, com o cinturão dos leves na reta.
Carlos Henrique, até então dono do título, avançou até o lugar do Nº 1 no UFC BJJ com uma campanha agressiva, que fez dele campeão com um alto nível de periculosidade. Para ficar com o título, venceu Danilo Moreira com uma finalização autoral, o armlock, e na primeira defesa superou Matheus Gabriel por decisão. Tudo parecia estabilizado no ranking dos leves até que Lucas Valente chegou para finalizar Carlos no pé, meio que trilhando um caminho inverso; do MMA, voltou para o grappling, a mesma modalidade que lhe deu dois títulos mundiais.

Em entrevista à The Mat Nation, Lucas Valente falou sobre esse resultado no UFC BJJ, uma vitória por via rápida que aumenta a sequência de finalizações que ele assinou no MMA. De acordo com ele, a atuação em um outro contexto de combate acabou aprimorando as suas habilidades no Jiu-Jitsu. “O MMA fez com que eu evoluísse muito como atleta de Jiu-Jitsu. Tem a questão do controle, os ajustes para os rounds de cinco minutos. Os treinos com pessoas de outras modalidades também ajudaram muito”, comentou.
O lema principal de Lucas Valente é a evolução, o comprometimento do dia a dia, mas sempre atento às oportunidades que podem elevar a carreira. A vitória mais recente do brasileiro no MMA foi em fevereiro deste ano. De acordo com ele, a entrada no UFC BJJ já era um acordo em estado avançado. Sem pensar muito, ele continuou focado em sua rotina de treinos até que a negociação saiu do papel.
“O meu manager estava em conversa com eles já há algum tempo. Eu estava simplesmente focado no meu processo de melhorar a cada dia. Eu acredito que, fazendo a minha parte, Deus vai me presentear com as melhores oportunidades”, afirmou.
LUCAS VALENTE CARREGA A BANDEIRA DO JIU-JITSU NO MMA COM ESTILO QUE PRIORIZA A FINALIZAÇÃO SEMPRE: “ME SINTO HONRADO”
Bicampeão mundial No Gi, Lucas construiu uma identidade muito forte no grappling, um jogo que se mostrou apropriado para um destaque no MMA. Ou seja, depois de dois anos sem lutar Gi ou No Gi, o faixa-preta da Gracie Barra entrou no bowl e entregou uma atuação no grappling que condiz com o seu histórico ofensivo, independentemente da modalidade de combate.

“A minha raiz, a base, sempre vai ser o Jiu-Jitsu e me sinto honrado em representar a Arte Suave no cage mas, sem dúvida, estou focado em evoluir, dia a dia, em todas as disciplinas”, explicou Valente.
Ao ser questionado se vai recalcular a rota depois do cinturão recém-conquistado, Lucas deu a entender que a entrada triunfal no UFC BJJ não marca exatamente um retorno ao Jiu-Jitsu em tempo integral. Para ele, não há oportunidade melhor de mostrar, agora, o seu dom para a versatilidade.
“Eu acredito, por si só, que esse título é o topo de uma grande montanha, mas eu estou sempre buscando outros ápices para conquistar, como o MMA”, concluiu.


