UM ANO APÓS O OURO, TAMARA TOROS RELEMBRA CONQUISTA HISTÓRICA NOS WORLD GAMES E O IMPACTO NA CARREIRA

Primeira húngara a conquistar uma medalha de ouro no Jiu-Jitsu da competição, faixa-preta da Atos destaca o peso de representar o país em um evento realizado apenas uma vez a cada quatro anos

O Jiu-Jitsu ainda não integra o programa dos Jogos Olímpicos, mas poucas competições conseguem aproximar a modalidade desse ambiente tanto quanto os World Games. Organizado pela International World Games Association (IWGA), o evento é multiesportivo e acontece a cada quatro anos, seguindo uma lógica semelhante à da principal competição esportiva do planeta. Em 2025, a cidade chinesa de Chengdu recebeu cerca de quatro mil atletas de 34 modalidades, entre elas o Jiu-Jitsu, disputado sob a regulamentação da Ju-Jitsu International Federation (JJIF).

É justamente essa combinação entre escassez de vagas, longo ciclo entre as edições e a oportunidade de representar uma nação, e não uma equipe, que faz dos World Games um torneio singular dentro da carreira de um atleta de Jiu-Jitsu. Um ano após subir ao lugar mais alto do pódio no absoluto feminino, Tamara Toros segue colhendo os frutos de uma conquista que marcou não apenas sua trajetória, mas também a história do esporte na Hungria.

Nascida em Budapeste, Tamara deixou o país aos 15 anos para se mudar para Barcelona em busca do sonho de construir uma carreira no Jiu-Jitsu. Hoje atleta da Atos, ela conquistou, na edição de Chengdu, a primeira medalha de ouro da história do Jiu-Jitsu feminino húngaro nos World Games, resultado que ganhou um significado ainda maior por ter sido alcançado vestindo as cores do país onde nasceu.

“Representar a Hungria nos Jogos Mundiais foi algo extremamente emocionante para mim. Deixei Budapeste aos 15 anos para perseguir meu sonho, mas sempre trabalhei muito para conquistar meu espaço na seleção húngara. Vestir as cores da Hungria e conquistar uma medalha de ouro para o meu país fez com que todos aqueles anos mais difíceis valessem a pena”, relembrou.

Tamara Toros comemora título no absoluto em torneio de Jiu-Jitsu nos World Games, na China. Foto: Divulgação
Tamara Toros comemora título no absoluto em torneio de Jiu-Jitsu nos World Games, na China. Foto: Divulgação

SEGUNDO TAMARA, EXCLUSIVIDADE TORNA O OURO NOS WORLD GAMES UMA CONQUISTA DIFERENTE

Ao contrário do calendário da IBJJF, que oferece aos atletas a oportunidade de disputar anualmente competições como Europeu, Pan-Americano, Brasileiro e Mundial, os World Games aparecem apenas uma vez a cada quatro anos. Além da longa espera entre uma edição e outra, a classificação é extremamente restrita: cada país pode contar com poucos representantes, enquanto as chaves reúnem um número reduzido de competidores considerados a elite da modalidade.

Na avaliação de Tamara, essa característica faz com que a medalha conquistada na China tenha um valor simbólico diferente de qualquer outro título. Para ela, chegar aos World Games já representa uma vitória, enquanto subir ao topo do pódio transforma a experiência em algo inesquecível.

“O que torna os Jogos Mundiais tão únicos é a exclusividade da competição. O evento acontece apenas uma vez a cada quatro anos, assim como os Jogos Olímpicos. Além disso, somente dois atletas por país podem se classificar, e cada categoria reúne apenas seis competidores de todo o mundo. Só conquistar uma vaga já é uma grande realização”, explicou.

Nos World Games, Tamara lutou representando o seu país, a Hungria. Nas competições de Jiu-Jitsu tradicionais, o atleta luta defendendo a bandeira da equipe. Foto: Divulgação
Nos World Games, Tamara lutou representando o seu país, a Hungria. Nas competições de Jiu-Jitsu tradicionais, o atleta luta defendendo a bandeira da equipe. Foto: Divulgação

A campanha vitoriosa, entretanto, esteve longe de ser construída sem obstáculos. Antes de conquistar o ouro no absoluto, Tamara não alcançou o resultado esperado na categoria de peso. Em vez de deixar a frustração comprometer o restante da competição, a faixa-preta conseguiu transformar o revés em motivação para voltar ainda mais preparada ao tatame.

Segundo ela, o apoio do professor Gustavo Galvão e do preparador físico Victor Sanchez foi determinante para recuperar a confiança antes da disputa do absoluto. A lembrança do aspecto único daquela oportunidade ajudou a mudar completamente sua postura mental.

“Foi quase como uma transformação. Depois da minha categoria de peso, as conversas com o Gustavo Galvão e com o Victor Sanchez fizeram toda a diferença. Eles me lembraram que os Jogos Mundiais acontecem apenas uma vez a cada quatro anos e que eu precisava aproveitar aquela oportunidade. Dois dias depois, voltei ao tatame me sentindo uma atleta completamente diferente, e essa mudança de mentalidade fez toda a diferença”, afirmou.

Postado por

Posts relacionados