
As lutas dos atletas das faixas coloridas geram uma grande expectativa em competições como o Brasileiro de Jiu-Jitsu. Com categorias sempre lotadas e nível elevado de competitividade, os confrontos dessas divisões sempre rendem embates que viram assunto e perduram por um bom tempo dentro da comunidade do esporte.
Kellyson Carlos é um dos atletas que contribuem para isso. Faixa-roxa da Checkmat, um dos maiores talentos revelados pela equipe desde Jansen Gomes, o atleta vem mostrando uma consistência nas grandes competições que impressiona. O circuito do Grand Slam da IBJJF é composto por quatro eventos principais: o Europeu, o Pan-Americano, Brasileiro e Mundial. Nesses três primeiros, Kellyson já garantiu seu lugar no topo. 75% do caminho dourado já está trilhado e o ouro do Mundial, na posse dele, parece uma lógica impossível de refutar.
No Brasileiro da temporada, em Barueri, o campeão da Checkmat natural do Rio Grande do Norte foi letal: quatro finalizações em seis lutas. Agora, ele é bicampeão brasileiro. No Europeu, a quantidade de confrontos foi a mesma, meia dúzia de embates sem abrir brecha para os adversários marcarem um ponto sequer. Foi no Pan que ele conseguiu vencer com um número menos de disputas: quatro resultados positivos para merecer o ouro no pódio.
Confira, abaixo, uma entrevista exclusiva com Kellyson Carlos:
THE MAT NATION – Você vem de uma sequência impressionante de títulos no Europeu, Pan e agora o Brasileiro, com uma campanha dominante. O que você tem de diferente, em comparação aos seus maiores adversários, para atingir esse nível de consistência?
KELLYSON CARLOS – Acho que o principal diferencial é a constância e a forma como eu encaro o processo. Eu tento sempre me programar para não depender de motivação, apenas da disciplina. Eu também me cobro muito para crescer em todos os aspectos, não só em técnicas, mas também procuro melhorar mentalmente, fisicamente e espiritualmente. Eu estudo meu jogo, monitoro para que tudo esteja em uma linha quase que perfeita, entende? Tipo, eu nunca deixo minha mente descansar e se acomodar depois de uma vitória. Acredito que isso é o que me mantém consistente, estar sempre insatisfeito no bom sentido, sempre buscando dar um passo a mais.

THE MAT NATION – A faixa-roxa adulto, especialmente o peso leve, é uma das divisões mais competitivas do Jiu-Jitsu hoje. Como você lida com a pressão de se manter no topo diante de adversários cada vez mais preparados e estudados?
KELLYSON CARLOS – Olha, pra ser sincero eu lido muito bem com a pressão sabe? Para mim, estar no topo significa que eu estou fazendo o trabalho certo. Hoje em dia todo mundo se estuda. Então, eu também estou sempre evoluindo. Junto com meus professores, Léo Vieira e Sebastian Lalli, faço ajustes para não me tornar um cara previsível. No final, eu não entro para competir pensando em quem está do outro lado, mas em executar bem o meu jogo. Acredito que quando eu faço isso, a consequência é o resultado.

THE MAT NATION – Você já teve a oportunidade de disputar uma superluta pela IBJJF no último GP Absoluto No Gi, enfrentando Evan Duncan em um confronto de kimono, algo que nem todos atletas da sua graduação vivenciam. Como essa experiência contribuiu para o seu amadurecimento competitivo?
KELLYSON CARLOS – A superluta que fiz foi uma experiência que me tirou da zona de conforto e elevou o meu nível de exigência. Acho que por ser uma luta mais visada e estudada, eu tive que me preparar de forma mais estratégica, cuidar mais dos detalhes e fortalecer ainda mais o lado mental. Me ajudou a saber lidar com o momento, com a minha expectativa, e até a do público também, e com a responsabilidade. Com certeza foi uma oportunidade que contribuiu muito para o meu amadurecimento competitivo.

THE MAT NATION – A Checkmat tem um histórico forte de formar grandes nomes, como Jansen Gomes, que também despontou como promessa um dia. Você enxerga paralelos entre a sua trajetória e a dele? E de que forma a equipe influencia diretamente no desenvolvimento de atletas que chegam ao topo?
KELLYSON CARLOS – Com certeza acho que existem sim alguns paralelos, principalmente pelo fato de a gente vir de uma equipe que tem um histórico muito forte de formar atletas de alto nível. O Jansen trilhou um caminho de muito trabalho, dedicação e resultados, e isso serve como referência para mim. Mas eu acredito que cada atleta tem a sua própria trajetória, e eu estou construindo a minha passo a passo. A Checkmat tem uma influência direta nisso porque o nível de treino é muito alto, existe uma cultura de disciplina e de busca por evolução constante, e isso acaba refletindo nas competições. E eu estando nesse tipo de ambiente faz muita diferença para mim porque eu quero não só chegar, mas se manter no topo.


