
Uma revelação da nova safra da elite do esporte vem da escola de Marcio André, faixa-preta carioca que mudou de vida por meio do Jiu-Jitsu e hoje se dedica à modalidade, em tempo integral, nos Estados Unidos. Luiz Victor Maxnuk tem no professor um excelente exemplo a seguir, ambos driblaram a falta de oportunidades para construírem uma carreira de atleta profissional. Para isso, a determinação, aliada à capacidade de fazer boas escolhas, foi um instrumento fundamental.
No primeiro ano de faixa-preta, Luiz Victor foi graduado no ano passado, o atleta já tem o vice-campeonato Europeu e uma participação no The Crown, GP de kimono da IBJJF que pinça expoentes. A próxima competição de Grand Slam de Luiz é o Pan-Americano, na Flórida, para atuar entre os atletas do meio-pesado. Ele vai chegar no torneio com reputação de perigoso graças a campanhas recentes em campeonatos locais da IBJJF nos EUA. Em dois Opens, em Los Angeles e Orange County, o brasileiro aumentou a coleção com três medalhas de ouro.
Em entrevista à The Mat Nation, Luiz Maxnuk revela que está vivendo uma fase que sempre projetou mentalmente antes de chegar, de fato, ao alto rendimento.
“Eu fico feliz porque estou conseguindo mostrar meu trabalho como atleta profissional. Esse sempre foi meu objetivo, chegar na faixa preta, na elite do esporte e conseguir fazer uma boa campanha. Estou feliz, mas não satisfeito. Pretendo alçar voos maiores”, comentou.

VERSÁTIL: LUIZ MAXNUK GOSTA DE UM JOGO ADAPTÁVEL, VARIANDO DE ACORDO COM AS NECESSIDADES DE CADA CONFRONTO
Competição que abre a temporada de grandes eventos da IBJJF, a primeira do Grand Slam, seguida pelo Pan, Brasileiro e Mundial, o Europeu é o torneio que aponta com altas probabilidades quais serão os atletas que vão obter mais notoriedade ao longo da temporada. Luiz está nessa lista seleta. Para ficar com a prata do meio-pesado, com final disputada com Eduardo Alves, outro talento recém-chegado à elite, Maxnuk precisou avançar com autoridade na divisão. Entre as conquistas, ele contabilizou uma vitória sobre Uanderson Ferreira, atleta dono de um estilo singular e com mais experiência competitiva.
“O que eu penso taticamente é sempre tentar adaptar meu jogo da melhor forma possível dependendo quem é o outro adversário. Se eu pensar que a melhor forma é atacar bastante, eu faço. Se eu pensar que devo controlar mais a luta, eu faço. Acho que no Europeu foi mais ou menos isso”, explicou.
GRATIDÃO AO MESTRE: CONVITE DE MARCIO ANDRÉ MUDOU A PERSPECTIVA DE VIDA DE LUIZ VICTOR
A entrada de Luiz Victor no Jiu-Jitsu aconteceu cedo, em 2013, quando ele tinha 10 anos de idade. O ambiente cativou o menino, que apreciou aquele espírito de competitividade do esporte durante o tempo que evoluiu nas faixas coloridas. Na maioridade, já afastado do Jiu-Jitsu, Luiz se alistou e serviu ao Exército. Foi uma experiência que trouxe aprendizado, mas o Jiu-Jitsu nunca deixou de fazer sentido na vida do jovem. Marcio André mudou o jogo quando ofereceu a ele uma oportunidade de ir para os Estados Unidos, de se dedicar 100% ao ofício de atleta. Luiz aceitou sem pestanejar e os frutos que colhe hoje, a partir do título conquistado no Pan, na faixa-marrom, mostram que ele optou por trilhar o caminho ideal.

“Eu já estava afastado do Jiu-Jitsu por três anos e deixar meu país e minha casa para tentar algo totalmente novo e diferente foi bem difícil. O Marcinho sempre me ajudou e nunca me deixou desistir, por isso falo que vou ser sempre grato a ele, por ele ter mudado minha vida”, declarou.
O Pan-Americano, em Kissimmee, competição que começa no final deste mês, é agora o foco principal de Luiz Victor. Inscrito no meio-pesado, ele pode colidir com atletas como Danylo Wruck, Mikael Rhaillander, Luccas Lira e Tommy Langaker. Ou seja, é um muro altíssimo para atravessar e merecer a medalha de ouro. Para o representante da escola de Marcio André, isso não assusta porque ele está comprometido em lapidar sua melhor versão no dia a dia de uma rotina que exige muito física e mentalmente.
“Tive muitas derrotas e momentos difíceis. Mas tudo isso me deixou mais forte, mais resiliente e me ensinou a confiar em Deus e superar tudo. Estou treinando muito e me esforçando bastante para conseguir chegar na minha melhor versão. Não só no Pan, mas em cada competição”, ressaltou.


