EDUARDO ALVES, ATUAL CAMPEÃO DO EUROPEU, QUER MANTER A DISCIPLINA PARA CHEGAR AO OURO DO MUNDIAL: “META DE VIDA”

Faixa-preta de Michael Langhi foi o centro das atenções na faixa-marrom, quando dominou peso e absoluto nas principais competições da IBJJF

O resultado geral de um atleta durante a campanha na faixa-marrom é um termômetro que antecipa o comportamento dele em um futuro breve, na faixa-preta. Eduardo Alves empilhou conquistas importantes nessa fase que precede a entrada no alto rendimento. No Grand Slam da IBJJF, a partir do Pan-Americano, passando pelo Brasileiro e fechando o ciclo no Mundial, ele fisgou na raça o ouro duplo. Aliás, o topo do pódio nesses torneios revelou um trabalho excelente do time de competição da Alliance, com Guilherme Avelino e Danilo Wruck completando a dobradinha da equipe no topo. 

Essa habilidade que fez o atleta avançar em competições com nível altíssimo de dificuldade já apontava com clareza: Eduardo Alves está pronto para a próxima etapa. A faixa-preta veio na Pirâmide, na Califórnia, com o sangue ainda quente após o ouro duplo do Mundial, em uma graduação conduzida pelas mãos de Michael Langhi.

Recém-chegado na divisão faixa-preta adulto, Eduardo Alves batalhou para ficar com a medalha de ouro no Europeu da IBJJF, em Portugal.
Recém-chegado na divisão faixa-preta adulto, Eduardo Alves batalhou para ficar com a medalha de ouro no Europeu da IBJJF, em Portugal. Foto: @lunivers.athletics

O primeiro compromisso de Eduardo Alves em 2026 já aconteceu. Ele lutou o Europeu da IBJJF, em Portugal, e provou que continua perigoso, mas agora na condição de novato. Em entrevista à The Mat Nation, o campeão disse que o trabalho a longo prazo contribuiu para temporadas de sucesso nas faixas coloridas, mas uma mudança específica no camp, na faixa-marrom, fez com que ele atingisse um auge técnico.

“Isso é um trabalho de anos, vem desde a faixa-azul, quando eu cheguei na Alliance. Eu venho trabalhando incessantemente todo esse tempo, sem parar. Eu acho que essa continuidade traz a evolução, pagar o preço todos os dias. No último ano, eu tinha acabado de voltar dos EUA, e a gente iniciou um camp mudando a metodologia, mais tempo de treino. Estamos repetindo isso em 2026. Não só eu, todos os meus parceiros de treino melhoraram muito, no controle de várias posições. Eu acho que isso me fez ser dominante nas minhas lutas na faixa-marrom. É isso que vai me trazer bons resultados para atingir a meta que eu quero na faixa-preta”, esclareceu.

A maior conquista de Eduardo, até o momento, foi o título mundial pela IBJJF, peso e absoluto, em 2025. Ele encerrou na Califórnia um ciclo de estrondoso sucesso na faixa-marrom.
A maior conquista de Eduardo, até o momento, foi o título mundial pela IBJJF, peso e absoluto, em 2025. Ele encerrou na Califórnia um ciclo de estrondoso sucesso na faixa-marrom. Foto: @lunivers.athletics

A TEMPORADA JÁ COMEÇA COM VISTA PRIVILEGIADA DO TOPO: NO EUROPEU, EM LISBOA, EDUARDO ALVES FOI O MELHOR COMPETIDOR DA DIVISÃO MEIO-PESADO

Com performance madura e cabeça no lugar, no Pavilhão de Odivelas, o faixa-preta da Alliance avançou na chave do meio-pesado para colocar na prateleira seu primeiro ouro de Grand Slam da IBJJF na elite do esporte. Antes, ele havia participado de duas competições locais da CBJJ. Na estreia, foi campeão do São Paulo Open e, no torneio da sequência, o BJJ Pro, no mesmo estado, ele ficou com a segunda colocação depois de sentir o joelho na final contra Windson Torres.

“O Europeu foi o primeiro pilar, mas tem várias outras coisas que eu quero conquistar. O principal é o Mundial e o primeiro grande passo do Grand Slam foi dado. É claro que eu fico feliz, mas eu gosto de falar que já esqueci e estou pensando no próximo”, disse obstinado.

Edu Alves e Luix Maxnuk travaram uma guerra na final do meio-pesado no último dia de confrontos no Europeu, em janeiro deste ano.
Edu Alves e Luix Maxnuk travaram uma guerra na final do meio-pesado no último dia de confrontos no Europeu, em janeiro deste ano. Foto: @lunivers.athletics

A grande final do Europeu foi um embate duríssimo de Edu com Luiz Maxnuk, revelação contra revelação, já que o oponente, também recém-graduado à faixa-preta, é um dos mais promissores talentos da escola de Márcio André. Uma diferença de dois pontos por uma raspagem, com um placar até então empatado, determinou o vencedor do confronto nos minutos finais. 

A situação não era nada favorável para Eduardo, que estava por baixo na meia-guarda profunda. Nesse ambiente de campeonato, especialmente em uma final de Europeu, a cabeça fria muda o jogo. De pegada em pegada, atento à movimentação do oponente e à melhor oportunidade de agir, o atleta da Alliance raspou e assumiu a liderança da luta.

“Na final eu acabei caindo em uma situação ruim por algum erro que eu cometi, eu até já revisei esse quesito. Foi muito cabeça de campeão mesmo, de não aceitar a posição, independentemente de como estava ruim. Fui melhorando as pegadas, passo a passo até ficar em uma posição “confortável”. Eu contei também com um pouco de sorte, dele continuar passando a guarda. No meio do knee cut dele eu consegui dar uma barrigada e um giro caindo por cima. Foi essa estratégia que eu usei para sair daquela situação ruim”, relembrou.

O competidor, ainda na faixa-marrom, em momento de concentração antes de entrar no tatame do Pan-Americano, na Flórida.
O competidor, ainda na faixa-marrom, em momento de concentração antes de entrar no tatame do Pan-Americano, na Flórida. Foto: @lunivers.athletics

SEGUNDO EDUARDO, A CONSTÂNCIA É ELEMENTO FUNDAMENTAL NA CONSTRUÇÃO DE UM FUTURO CAMPEÃO MUNDIAL

Nesta temporada, o faixa-preta de Michael Langhi não vai atuar no Pan. O Brasileiro, em Barueri, é a próxima parada. Para ele, a grande realização da carreira seria mais uma medalha de ouro do Mundial, na Pirâmide, agora entre os astros da modalidade. Preparo ele tem para atingir esse objetivo logo em seu primeiro ano na graduação. No entanto, estar sempre disposto a respeitar uma rotina constante, sem subterfúgios, é, de acordo com Edu, o elemento que mais faz diferença em todo esse conjunto de formação de um campeão mundial.

“Ser campeão mundial é o meu sonho, uma meta de vida. Eu acho que o segredo, que todos os grandes campeões fizeram para continuar ganhando, continuar no topo entre os melhores, é a constância. Treinar duro, de forma inteligente, com cada vez mais técnica, sem deixar de manter a preparação física em dia. A junção disso tudo te deixa entre os melhores. Isso prepara a sua mente para a hora da batalha”, declarou convicto.

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