Faixa-preta de Jiu-Jitsu nascido em Capivari, em São Paulo, Lucas Castro sabe muito bem como é satisfatória a sensação de subir no lugar mais alto do pódio em competições de renome. Campeão com e sem kimono do Jiu-Jitsu Con, no ano passado, em Las Vegas, ‘Lukinha’ trilhou um caminho pavimentado por habilidades sólidas nessa última temporada, culminando no vice-campeonato no Mundial No Gi IBJJF, em dezembro. Finalista da divisão dos galos, lutando a última luta da chave com Shay Montague, Lucas provou, sem margem para dúvidas, que é um nome com potencial de destaque na elite.

Em entrevista exclusiva para a The Mat Nation, Lucas Castro, faixa-preta graduado por Paulo Eduardo ‘Piu’, falou sobre essa reta final de 2025 e o que a trajetória nesse Mundial significa em termos de evolução técnica. Em 2024, ele também ficou com a prata, sendo parado na final pelo então campeão Everton Teixeira. Na edição mais recente da competição, no entanto, Lucas foi bem sucedido na revanche e avançou para a final contra Shay.
“A final do Mundial reafirmou que eu sou um atleta que merecia estar ali. Eu sempre duvidei muito de mim mesmo e meio que demorou para eu aceitar que devia e merecia aquela posição, que eu tinha treinado o suficiente para isso. Chegar na final de novo, porque eu já tinha conseguido há dois anos, eu perdi a final para o Everton (Teixeira). Chegar nesse lugar mais uma vez, superar o Everton na semifinal em 2025. Tudo isso reforçou o meu potencial”, confessou.
CREDENCIAIS SUFICIENTES PARA RECEBER ESSA PROPOSTA: LUCAS CITA MOTIVOS QUE EXPLICAM CONTEXTO ADEQUADO PARA UMA LUTA COM JALEN FONACIER NO UFC BJJ
O atleta brasileiro, que hoje vive de Jiu-Jitsu em tempo integral nos Estados Unidos, tem um oponente específico na mira. Para Lucas, uma luta com Jalen Fonacier faz muito sentido agora. Não seria a primeira vez que os dois ficariam frente a frente, eles já lutaram na edição de 2024 do Pan No Gi, nas quartas de final, com placar empatado e vitória para Jalen com a diferença de apenas uma punição.
O duelo, que poderia ser promovido como uma revanche, tem conteúdo para ser mais um dos confrontos eletrizantes que o UFC BJJ vem promovendo. Na organização, Jalen Fonacier segue invicto com três vitórias por finalização. Na quinta edição, em fevereiro, o atleta de Rubens ‘Cobrinha’ finalizou no heel hook Bebeto Oliveira, campeão mundial, em apenas 19 segundos.
“Eu realmente acredito que tenho credencial para lutar com o Jalen (Fonacier). Primeiro, porque eu sou o número 2 do ranking que ele está chamando. O número 1 é o Shay, que acabou lutando com o (Mikey) Musumeci. O Everton é o número 4, e ele lutou com o Jalen também. Nós, eu e o Jalen, lutamos há dois anos no Pan No Gi e eu perdi por apenas uma punição. A gente fez uma luta muito dura. Eu mereço uma chance para lutar com ele no UFC”, enfatizou.

PROFESSOR E ATLETA PROFISSIONAL, LUCAS É MOVIDO PELO COMPROMISSO DE SER UM EXEMPLO NAS DUAS FUNÇÕES
A carreira de atleta profissional de Lucas precisa ser conciliada com a função de professor, mas isso não é problema para ele, que afirma trabalhar com o que ama. ‘Lukinha’ ministra aulas na filial Gracie Barra Chandler, localizada no Arizona, Texas. Para ele, o que realmente faz a diferença nesse processo é a rede de apoio dos companheiros de academia, fundamental para manter alto o nível e o ritmo de treinos. Segundo Lucas, é com os próprios alunos da classe juvenil, treinados desde à base, que ele faz os principais sparrings.
“Conciliar as aulas com os treinos é uma tarefa difícil porque eu assumi a responsabilidade de ser bom nas duas áreas, como professor e atleta. No entanto, eu tenho uma base de apoio muito forte, do meu professor e dos próprios alunos, que me ajudam muito a manter o foco nos treinos. Essa rede de apoio me traz um equilíbrio muito bom. Eu trabalho com o que amo. A maior parte do meu treino agora é com juvenis de 15, 16 anos, que treinam com a gente há uns 10 anos; eles viraram, praticamente, os meus melhores parceiros de treino. Eu brinco que eles são pequenos faixas-pretas, muito duros de Jiu-Jitsu”, explica.

PRÓXIMO COMPROMISSO: PAN DE JIU-JITSU NA FLÓRIDA, NOS ESTADOS UNIDOS
Lutar com ou sem kimono? Para Lucas, não há preferência, o importante é se manter ativo, ao longo da temporada, nas duas modalidades. O próximo compromisso do atleta é no Pan-Americano da IBJJF, competição de kimono prevista para começar no dia 25 de março em Kissimmee, na Flórida. Inscrito no peso galo, Lucas pode esbarrar na chave, justamente, com Everton Teixeira e Jalen Fonacier, também confirmados no torneio.
“Eu vou buscar o protagonismo nos dois. Eu vou tentar lutar todos os campeonatos grandes que vierem agora. Eu fico muito feliz em poder performar tanto com quanto sem kimono. De treinar bem em ambas as modalidades. Eu aprendi a gostar disso. No começo eu não gostava de No Gi, não queria treinar, falava para o meu professor que achava chato. Eu até brinco com os meus alunos, você não gosta de treinar quando você é ruim, quando você fica minimamente bom, quer treinar todo dia”, reforça.


