MUNDIAL NO GI: ELISABETH CLAY SE CONSOLIDA COMO ESTRELA AO FINALIZAR GABI PESSANHA EM SEU SEXTO TÍTULO NO TORNEIO

Roosevelt Sousa, campeão peso e absoluto, encerra temporada brilhante na briga pelo ouro com atletas do adulto

O Mundial No Gi da IBJJF, que aconteceu de 11 a 13 de dezembro em Las Vegas, nos Estados Unidos, teve como uma das principais características a coroação majoritária de novos campeões no alto rendimento com variedade de nacionalidades. No topo do pódio, oito do total de campeões representavam países diferentes, mais uma prova irrefutável da abrangência global do Jiu-Jitsu. Panamá e Escócia tiveram, pela primeira vez na história, seus primeiros campeões na faixa-preta adulto. Os campeões do absoluto, um brasileiro e uma norte-americana, foram ouro duplo na competição. Roosevelt Sousa encerrou uma temporada marcante na carreira e Elisabeth Clay arrancou reações acaloradas no Convention Center ao finalizar Gabi Pessanha na final das disputas do aberto.

Elisabeth Clay ficou um tempo afastada das competições por conta da gravidez do primeiro filho. Danilo Moreira, marido e coach, celebrou bastante a conquista dupla da esposa no Mundial No Gi.
Elisabeth Clay ficou um tempo afastada das competições por conta da gravidez do primeiro filho. Danilo Moreira, marido e coach, celebrou bastante a conquista dupla da esposa no Mundial No Gi. Foto: @tyywithrow

A campanha de Elisabeth Clay no Mundial da IBJJF foi impecável. Estratégia de completo domínio, sequência oito de finalizações e duas medalhas de ouro, no peso médio e no absoluto. Elisabeth entrou agressiva na competição e manteve essa postura até o final. A agora campeã mundial sem kimono pela IBJJF por seis vezes finalizou ninguém menos que Gabi Pessanha, campeã mundial no super-pesado, na final das disputas do aberto. Com isso, ela se tornou também a primeira e única atleta a finalizar a faixa-preta de Márcio de Deus, dona de um registro de vitórias que perpetuou sua soberania. Antes disso, ela eliminou outra favorita, tirou do absoluto Adele Fornarino, campeã entre as competidoras do pena. Na última luta do peso médio feminino, Clay anotou uma vitória por via rápida sobre Rebeca Lima.

A temporada dourada de Roosevelt Sousa começou no Mundial da Califórnia, quando ele foi campeão da divisão de peso, pela primeira vez, performando de kimono na competição da IBJJF que tradicionalmente acontece na Pirâmide. Um título no Mundial No Gi não era inédito para ele, mas o ouro duplo sim. O atleta da Fight Sports ficou no topo do pódio duas vezes, no pesadíssimo e nas disputas do aberto, no último dia do Mundial No Gi, em Las Vegas. Já na classe dos masters, Roosevelt percorreu seu caminho com autoridade, entre os adultos, nas duas categorias. Nas finais, ele finalizou Heikki Jussila, no pesadíssimo, e Elder Cruz, no aberto. 

Roosevelt Sousa encerrou 2025 de forma gloriosa, com duas medalhas de ouro na última grande competição da IBJJF.
Roosevelt Sousa encerrou 2025 de forma gloriosa, com duas medalhas de ouro na última grande competição da IBJJF. Foto: IBJJF

Depois de uma medalha de bronze na temporada passada, Thaís Loureiro corrigiu os erros e conseguiu a primeira colocação em 2025. O título mundial, inédito na faixa-preta, veio em vitória sobre Faye Lynn, na final do peso galo feminino. 

Ashlee Funegra se juntou à irmã Mia como campeãs mundiais na faixa-preta. Graduada no Mundial na Pirâmide, onde a irmã levou o título mundial, Ashlee competiu duas vezes antes de pisar no tatame da IBJJF no Mundial No Gi. Na final do peso pluma, a atleta da AOJ venceu Anne Elizabeth Druckrey, da Checkmat.

ADELE FORNARINO LEVA A MELHOR NA AGUARDADA FINAL DO PESO PENA, CONTRA A ESPANHOLA ANA MAYORDOMO

A final do peso pena entre Adele Fornarino e Ana Mayordomo foi uma das lutas mais aguardadas do último dia de torneio, dia 13. Adele é uma das grapplers mais letais da atualidade e Ana vem protagonizando uma campanha invejável, com uma sequência bem impressionante de bons resultados em seu primeiro ano como faixa-preta. No duelo entre as duas, venceu a experiência. Fornarino, que ainda não tinha um título mundial sem kimono pela IBJJF, conseguiu o ouro sem derramar uma gota de suor. A finalização no ankle lock, uma carta forte que ela tem na manga, veio em apenas 16 segundos. 

Lillian Marchand, talento do ‘Dream Team’ de André e Angélica Galvão, já pode dizer que tem seu primeiro título mundial da IBJJF na faixa-preta, apenas alguns meses depois da sua entrada na elite da competição. No Mundial No Gi da IBJJF, Lillian foi a melhor atleta do peso médio feminino. Na final, ela venceu por finalização em luta contra Amanda Bruse, também da Atos.

HELENA CREVAR REINA NO MEIO-PESADO E CASSIA MOURA PROVA QUE É DIFERENCIADA AO DESBANCAR COMPETIDORAS MAIS ROBUSTAS

Helena Crevar continua mantendo uma estabilidade impecável na cena do Jiu-Jitsu sem kimono. Em seu ano de estreia na faixa-preta, a atleta de apenas 18 anos de idade conquistou o ouro no Mundial No Gi em Las Vegas. Helena atuou no meio-pesado, finalizou todo mundo com Gordon Ryan na posição de coach e subiu no lugar mais alto do pódio. 

Cassia Moura entrou no Mundial No Gi da IBJJF com um objetivo que deu o que falar. Campeã peso pena no ano passado, ela subiu quatro divisões e cravou o nome entre as competidoras do pesado. Medalhista de ouro do torneio por duas temporadas consecutivas, a atleta carioca provou superioridade com técnica eficiente contra atletas maiores e mais pesadas. Arte suave em estado puro. Na final, a faixa-preta de Bruno Bastos venceu Nia Blackman por pontos. 

Cassia Moura conta com o apoio e orientação do mestre Bruno Bastos dentro e fora do tatame.
Cassia Moura conta com o apoio e orientação do mestre Bruno Bastos dentro e fora do tatame. Foto: @of.ourselves

O primeiro escocês a vencer o Mundial No Gi na elite do esporte foi Shay Montague. Na final do peso galo, ele enfrentou Lucas Castro, um adversário conhecido. Em entrevista à FloGrappling, ele disse que essa é a terceira vez que enfrenta Lucas na final de um mundial. Quando foi campeão do mesmo evento, nas faixas roxa e marrom, ele precisou vencer Castro na final. Na edição de 2025, com os dois na faixa-preta, Shay travou uma guerra com o oponente para sair vitorioso na reta final do confronto, finalizando com um triângulo.

Marcos Gomes, da AOJ, ocupou o lugar do campeão no pódio dos plumas depois de desbancar promessas, Vinicius Inacio, da Atos, e Kleber Barbosa, atleta da Dream Art que encarou na final. Sob as orientações de Guilherme Mendes, Marcos, que também ministra aulas na equipe, ganhou a luta com um heel hook. 

COM TÉCNICA CONSCIENTE, MARCO MENDES TIRA GIANNI GRIPPO DO LUGAR DE CAMPEÃO NO MUNDIAL NO GI

No Pan No Gi da temporada, em Nova York, Marco Mendes mostrou de forma evidente que a sua chegada no Mundial, em Las Vegas, não passaria despercebida. Foram quatro lutas e quatro finalizações na competição anterior. Aquecido para o Mundial No Gi, Marco encerrou o primeiro dia, das classificatórias, com duas finalizações. Na final do peso pena, Marco Mendes superou Gianni Grippo por pontos, administrando o combate com clareza técnica para garantir o almejado ouro sobre um atleta renomado no grappling, com mais de um título no Mundial sem kimono da IBJJF, na faixa-preta.

Marco Mendes percorreu destemido seu caminho no peso pena e, na final, desbancou Gianni Grippo.
Marco Mendes percorreu destemido seu caminho no peso pena e, na final, desbancou Gianni Grippo. Foto: IBJJF

Cole Abate reinou nas faixas coloridas e agora aproveita uma fase de estabilidade na faixa-preta, um desafio complexo para muitos. Embalado pelo título recente no The Crown, de kimono, na final do peso leve no Mundial No Gi, o atleta que é a cara da AOJ superou Julián Espinosa com autoridade, escalou em 14 pontos no placar e depois finalizou. Esse é o segundo título de Cole no torneio. Em 2024, ele foi campeão lutando entre os atletas do pena. Na final, curiosamente, ele também enfrentou e derrotou Espinosa.

Talvez não tivesse ninguém no Mundial No Gi com mais vontade de ganhar que Tarik Hopstock. Atleta conhecido pela resiliência, ele traçou seu caminho na competição, na divisão dos médios, com um Jiu-Jitsu consistente que o levou até a última luta da chave. Tarik enfrentou e venceu Marcelo Fausto, da Checkmat, na finalíssima. Nas redes sociais, ele relembrou a prata conquistada em 2015, quando era faixa-roxa. “Eu persegui esse título. Foram anos batendo na trave, anos de dúvida e momentos que considerei me afastar das competições.”, disse Tarik. 

POLONÊS PAWEL JAWORSKI REFORÇA FAVORITISMO NO MUNDIAL NO GI COM ESTILO QUE VIROU MARCA REGISTRADA

Paweł Jaworski chegou no Mundial No Gi com uma reputação bem construída de leg locker, uma habilidade desenvolvida sem descanso desde as faixas coloridas. No Grand Slam No Gi da IBJJF, o polonês mostrou que era forte candidato ao topo no Mundial, em Las Vegas. Terceiro colocado no absoluto, Paweł faturou a primeira colocação na categoria meio-pesado. Na final, enfrentou o brasileiro Gabriel Brod e performou entregando o que tem de melhor. Caçou a perna com destreza e finalizou. O ouro fica na Polônia.

Paweł Jaworski posa para foto com o professor Marcin Polczyk, da Academia Gorila, sediada na Polônia.
Paweł Jaworski posa para foto com o professor Marcin Polczyk, da Academia Gorila, sediada na Polônia. Foto: Divulgação/Instagram

Javier Barter cravou o nome no topo do pódio dos pesados no Mundial No Gi da IBJJF, em Vegas, e levou o primeiro ouro do torneio para o Panamá. Na final, Javier se deparou com Faris BenLamkadem, competidor com experiência e fama na cena competitiva do grappling. Com técnica em dia, o atleta panamenho entrou em queda, levou a luta para o chão e deslizou para as costas de Faris. Depois da prata no Brasileiro e o ouro no Pan, ambos sem kimono, chegou a vez de ficar mais uma vez no lugar mais alto do pódio, mas agora no Mundial.

Nicholas Maglicic também teve a sua colaboração histórica no Mundial sem kimono da temporada: primeiro atleta de uma divisão masculina, natural da Austrália, a conquistar o ouro. Antes da competição em Las Vegas, Nico foi campeão da seletiva do ADCC da Ásia e Oceania, com índice de finalizações em 100%, e reservou seu lugar no Mundial da organização, ano que vem, na Polônia. Aluno de André Galvão, Nicholas levou a melhor por pontos em uma luta dura contra Austin Morris, na final do super-pesado.

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