ANA MAYORDOMO, FAIXA-PRETA NATURAL DA ESPANHA, VIVE ANO DE OURO NO GRAPPLING COM COLEÇÃO DE TÍTULOS

Atleta na elite desde o ano passado, quando foi graduada, Ana tem impressionado pelo nível técnico altíssimo; ela treina na Kingsway, comandada por John Danaher

O segundo semestre de 2025 foi marcado por uma chegada marcante de Ana Mayordomo ao topo da classe A do grappling. Faixa-preta treinada por John Danaher na Kingsway, em Austin, no Texas, Ana disparou na liderança desde setembro, quando venceu uma seletiva do ADCC na Europa. Essa medalha de ouro foi a porta aberta para mais glórias: ela estreou no UFC BJJ com prêmio de finalização da noite, foi campeã do Pan e do Europeu No Gi e ainda teve disposição para buscar a primeira colocação em mais um ADCC, no East Coast Trials. 

Em entrevista exclusiva para o portal da The Mat Nation, Ana disse que o mindset de campeã, antes mesmo de ter o braço erguido pelo árbitro, foi um dos aspectos fundamentais no impulsionamento da sua carreira no mais alto nível do esporte. De acordo com ela, o ponto de inflexão foi em setembro, na seletiva do ADCC. 

“A grande mudança veio na primeira seletiva europeia do ADCC, em setembro. O estado mental que alcancei era aquele em que realmente acreditava nas minhas habilidades, em mim mesma. Eu tinha certeza de que queria mais do que qualquer uma que estava ali”, disse. 

Ana Mayordomo assume primeira colocação no pódio, da divisão feminina até 55kg, em uma das seletivas norte-americanas do ADCC.
Ana Mayordomo assume primeira colocação no pódio, da divisão feminina até 55kg, em uma das seletivas norte-americanas do ADCC. Foto: @kpetty_photography

Consistência e paciência são palavras-chave na trajetória de Ana Mayordomo até aqui. Ela não conquistou a faixa-preta, no ano passado, depois de uma jornada mediana nas faixas coloridas. Disciplinada, ela aprendeu a alcançar e manter bons resultados. 

“Eu faço isso por oito, quase nove anos, e a lição mais importante que tirei desse tempo foi a paciência. Todo mundo funciona dentro do seu próprio tempo. O que você pode fazer de melhor é encontrar esse lugar no seu psicológico onde você acredita totalmente em si mesmo. A única forma de conseguir isso é sendo confiante o tempo todo, não apenas forçando isso antes do campeonato, principalmente quando o completo oposto disso é feito no dia a dia”, explicou.

Ana Mayordomo comemora vitória por finalização contra Shye Lilly no UFC BJJ 3, sua estreia na organização.
Ana Mayordomo comemora vitória por finalização contra Shye Lilly no UFC BJJ 3, sua estreia na organização. Foto: UFC BJJ

VIVENDO NOS ESTADOS UNIDOS DESDE OS 13 ANOS, ANA AFIRMA QUE ELEVOU A QUALIDADE DO SEU JIU-JITSU DENTRO DA KINGSWAY

Ana Mayordomo nasceu na Espanha, mas se mudou com a família para Denver, nos Estados Unidos, aos treze anos de idade. Antes de se fixar no Jiu-Jitsu, ela se aventurou no Basquete, passou pelo Tênis, e até pelo Muay Thai. Ana começou a praticar a Arte Suave na adolescência por meio de Eliot Marshall, professor com quem permaneceu da faixa-branca à preta. Por indicação do mestre, conheceu John Danaher e passou a treinar full time na Kingsway, desde 2023. 

“Eu sempre fui muito bem orientada em termos técnicos. Quando me mudei para o Texas, há dois anos, comecei a treinar com o John, com o Gordon Ryan e me testei com algumas das atletas do mais alto nível do grappling feminino, do país e do mundo, isso mudou o jogo para mim”, comentou.

Atleta aparece em foto ao lado de John Danaher, Eliot Marshall e Gordon Ryan no tatame da Kingsway, no Texas.
Atleta aparece em foto ao lado de John Danaher, Eliot Marshall e Gordon Ryan no tatame da Kingsway, no Texas. Foto: Divulgação/Instagram

As exigências de uma atleta de rotina profissional caminham com Ana; no entanto, ela não pode dizer que vive exclusivamente do esporte. Aos resultados competitivos excelentes ela adiciona uma rotina burocrática de trabalho convencional. De acordo com a multicampeã, todo o cronograma de treinos precisa de remanejamentos para evitar conflito com outras obrigações profissionais. 

“Eu tenho um trabalho corporativo em tempo integral. Trabalho online, então estou sempre envolvida em reuniões e preciso ajustar os meus treinos com base nos horários das reuniões e das demandas que preciso entregar. Meu trabalho ainda é a prioridade. Então, me certifico de fazer pelo menos um número mínimo de treinos na semana, sempre com um objetivo em mente, fazendo valer a pena cada minuto investido dentro do tatame”, afirmou. 

METAS: MUNDIAL NO GI DA IBJJF É UM OURO COBIÇADO PARA ENCERRAR 2025; MUNDIAL DO ADCC ESTÁ NOS PLANOS DA PRÓXIMA TEMPORADA

A temporada de 2025 ainda não acabou para Ana. Ela está inscrita no Mundial No Gi da IBJJF, que começa dia 11, em Las Vegas. Com uma rotina que a deixa treinada a temporada inteira, ela diz que a fase de camp é focada em aprimoramento e detalhes estratégicos com base no estilo das adversárias. 

“Eu treino o ano todo. Então, não acontecem grandes mudanças na preparação. Nós focamos mais nas regras do próximo evento, nos ajustes que precisam ser feitos para que eu esteja preparada. É mais sobre afiar as minhas habilidades para me deixar pronta, independentemente da atleta que esteja diante de mim”, destacou. 

O título do Pan No Gi da IBJJF, no peso pena, foi um dos pontos altos de Ana na temporada de 2025.
O título do Pan No Gi da IBJJF, no peso pena, foi um dos pontos altos de Ana na temporada de 2025. Foto: @kpetty_photography

Encerrando o ano de 2025 no Convention Center de Las Vegas, projetando o topo do pódio da última grande competição da IBJJF, Ana mira a vaga no Mundial do ADCC, na Polônia, que vai acontecer em 2026. Vencedora de dois ADCC Trials em um espaço curtíssimo de tempo, Ana precisa carimbar seu lugar no evento principal vencendo mais uma seletiva da Europa, a segunda. Essa é a meta principal para 2026.

Ainda não há igualdade de gênero entre os atletas que competem no maior torneio de grappling do cenário com o objetivo de performar no Mundial. Ana tem conhecimento disso, espera por mudanças no futuro, mas reforça que vai continuar lutando o ADCC com a garra de quem quer uma vaga no evento principal, que acontece de dois em dois anos. 

“Obviamente, eu sabia dessas regras quando me inscrevi, que se ganhasse as duas seletivas, eu não estaria qualificada para o Mundial. Eu quero que o futuro reserve mudanças quanto a isso; que possamos ter, no feminino, uma chave ampla e variedades de divisões como no masculino, incluindo o absoluto. No ano passado teve absoluto porque a Gaidama, que também me apoia, patrocinou a chave inaugural do peso aberto feminino. Eu não vejo o ADCC como um inimigo, vou lutar em mais uma seletiva na Europa e dar o meu melhor para conseguir a vaga no Mundial”, enfatizou.

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