RODRIGO ‘BRAGUINHA’, PROFESSOR NA PIRÂMIDE GRAPPLING, EXPLICA COMO SE TORNOU PIONEIRO NA APLICAÇÃO DE TÉCNICAS DE JUDÔ NO JIU-JITSU SEM KIMONO

Ex-atleta de Judô do alto rendimento, ‘Braguinha’ adquiriu bagagem profissional no Instituto Reação, de Flávio Canto

O trabalho desenvolvido dentro da Pirâmide Grappling, para implementar técnicas do Judô dentro do Jiu-Jitsu sem kimono, é inovador em um alcance internacional. O especialista responsável por conduzir essa metodologia na matriz da equipe, na Barra da Tijuca, é Rodrigo Braga, faixa-preta de Judô e Jiu-Jitsu.

A experiência de Rodrigo no Judô, conhecido no meio competitivo como ‘Braguinha’, foi adquirida em anos de dedicação total à arte marcial. Pressão é algo impossível de evitar nesse ambiente, já que o Judô, como qualquer modalidade olímpica, tem processos de seleção extremamente rigorosos e excludentes. Não foi exatamente a pressão que afugentou ‘Braguinha’ do alto rendimento como judoca. De acordo com entrevista cedida ao portal da The Mat Nation, ele disse que os ciclos olímpicos motivaram a procura por uma nova carreira, sem abandonar o Judô como formação. 

“A pressão do ambiente olímpico não foi o motivo da minha saída. Eu saí por opção, porque o Judô é feito de ciclos olímpicos a cada quatro anos. Então, depois dos Jogos Olímpicos de Tóquio eu decidi me aposentar porque eu não queria passar mais quatro anos como atleta. Foi assim que foquei na minha carreira de professor. Eu tinha 26 anos na época, achei que era o momento certo de construir outra carreira, foi assim que o Jiu-Jitsu entrou na minha vida”, contou. 

Rodrigo 'Braguinha' mostra na prática, em competição, a eficência das técnicas de Judô aplicadas no grappling.
Rodrigo ‘Braguinha’ mostra na prática, em competição, a eficência das técnicas de Judô aplicadas no grappling. Foto: Arquivo Pessoal

Natural de Brasília, Rodrigo aterrissou na Pirâmide egresso do Instituto Reação, fundado por Flávio Canto. O período que passou por lá foi rico na aquisição de um conhecimento que ele vai levar para a vida toda. Além de técnicas de luta propriamente ditas, Rodrigo ensina com base em noções de profissionalismo, algo inerente ao dia a dia de um atleta condicionado à rotina da prática de uma modalidade olímpica.

“A minha vivência do esporte olímpico ajudou bastante no desenvolvimento do Judô aplicado ao grappling por conta do profissionalismo. A parte de gestão de carreira, de comportamento no tatame, tudo isso eu trouxe para a minha metodologia de ensino”, explicou.

ATUALMENTE, MAIOR OBJETIVO DE RODRIGO É FORMAR CRIANÇAS POR MEIO DA EDUCAÇÃO ESPORTIVA

Rodrigo é um competidor, mas hoje sua missão maior está na formação de atletas kids com o intuito de transformá-los em adultos qualificados, dentro e fora do tatame. O Judô tem ferramentas poderosas nesse sentido. É uma arte marcial japonesa, uma origem oriental que inclui preceitos de respeito e hierarquia.

“A Pirâmide vem inovando na formação de atletas kids dentro do grappling. No Brasil, não temos muitas academias desenvolvendo esse tipo de trabalho. A minha bagagem, além da minha formação em Educação Física, fornece esse embasamento do que é feito no alto rendimento, com crianças, no Judô para o Jiu-Jitsu. Eu quero formar faixas-pretas dentro e fora do tatame. A arte marcial, o Judô e o Jiu-Jitsu, são excelentes para que as crianças possam se tornar adultos competentes em várias áreas da vida”, declarou.

A experiência extensa em um esporte olímpico fez com que a formação de Rodrigo como professor ficasse ainda mais valiosa.
A experiência extensa em um esporte olímpico fez com que a formação de Rodrigo como professor ficasse ainda mais valiosa. Foto: AIGA

O WRESTLING AINDA É UMA PREFERÊNCIA AMPLA NO MEIO DO GRAPPLING; MAS O JUDÔ ATRAVESSA UMA FASE DE RECONHECIMENTO

Dentro da metodologia de treinamento de grappling, é muito comum que haja uma atenção maior para as técnicas do Wrestling. O objetivo é fazer com que a parte em pé do atleta, na luta agarrada, seja mais estratégica e capacitada na aplicação e defesa de quedas. Para falar de Judô no contexto de ação do grappling é necessário eliminar uma barreira — a ausência de kimono. 

“Primeiro, nós precisamos entender quais são as técnicas mais eficientes do Judô dentro da realidade do grappling. Então, é necessário ter uma noção de Wrestling também. Isso por conta da ausência de pegadas. No Judô tem kimono. Eu preciso entender que tipos de pegada eu tenho que fazer no No Gi para conseguir usar fundamentos do Judô. É com o Wrestling que consigo entender que técnicas do Judô eu posso aplicar de acordo com os tipos de pegada que tenho à disposição, além das ações reações dos meus adversários”, detalhou.

Professor e competidor na Pirâmide Grappling, 'Braguinha' hoje assume que sua missão maior está na formação de atletas.
Professor e competidor na Pirâmide Grappling, ‘Braguinha’ hoje assume que sua missão maior está na formação de atletas. Foto: Arquivo Pessoal

Especialista no assunto, Rodrigo admite que existe uma lacuna de adaptação por conta da falta do kimono, mas ao mesmo tempo prova que isso não é um fator impeditivo. No comportamento dos atletas na competição, a familiaridade com o Judô pode ser um diferencial surpresa ainda pouco explorado pelos adversários. 

“Muitos focam no Wrestling, mas como pioneiro dessa adaptação no Brasil, afirmo que a cada dia que passa, dentro das competições, os atletas percebem que o Judô também é uma ferramenta que vai auxiliar na queda, na finalização. O Judô é muito rico”, concluiu.

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